domingo, 24 de janeiro de 2010

Eterna Saudade...1956-2010 : (

LOJA - Canção do carocho

Chibos interesseiros. Intrujas manhosos.
Bacanos desorientados à espera de algo, sem saber o quê ao
certo.
Mas a com toda a certeza de que o saberão quando a cena finalmente
surgir.
Miúdas que quase que fazem uma mamada em troca de um algodão.
Quase que fazem, o caralho, fazem mesmo.
Caras e corpos de 40 anos que na verdade viveram apenas metade desse tempo.
Barracas impregnadas com aquele ar nauseabundo.
Muletas, ligaduras, hematomas, sangue coagulado.
O cheiro, não se consegue desfarçar o cheiro.
Surgem vozes de todo o lado:

-“Boa branca”, “boa castanha”, “Serenal”, “Paxilfar”,
“amoníaco”, “prata”, “bombas”, “sai do meio da rua e encosta à parede!”,
“Filha da puta do carocho só faz é merda !!!"

Vai fechar a loja e o puto não comprou nada.
Não comprou nada, Não comprou.

Duas da manhã mas a loja tá aberta, como sempre.
Seja natal ou fim-do-ano, o negócio não pode parar,
não consegue parar, e por isso, logicamente nunca irá parar.
Disponível num centro perto de si.
Dinheiro puxa dinheiro como vício puxa vício.
Enquanto houver gente a comprar, vai haver gente a vender,
enquanto houver gente a vender, vai haver gente a comprar.
O bicho já apanhou mais de metade dos consumidores,
mas sabes bem que a fruta dos contentores dá moca e tira as dores
faz voar sem sair do chão e afinal de contas quem é que não
gosta da sensação da…

-“Boa branca”, “boa castanha”, “Serenal”, “Paxilfar”,
“amoníaco”, “prata”, “bombas”, “já te disse para saíres do meio da
rua e encostares à parede!”,
“Filha da puta do carocho só faz é merda”!!!

Vai fechar a loja e o puto não comprou nada,
Não comprou nada, Não comprou.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lookin for..

Agora é trigo limpo farinha amparo! Ou seja lá o que isso for ou queira dizer. Agora ainda doi, ainda mata, ainda vai ser difícil, ainda magoa, ainda choro, ainda me arrependo, ainda me perco, ainda tenho medo, ainda sinto frio, ainda queria diferente, ainda queria ser melhor, que tivesse sido melhor que fosse realmente melhor, que fosse mais perfeito, mais simpatico, menos doloroso e sem remorsos ou mágoas, ainda não saímos de todo o filme, mas ele já não rola, agora é deixar viver e seguir, tentar andar mais tranquila e menos chorosa, e mais consciente de que a vida vai mesmo ser sempre assim.
Não sei qual é o meu caminho, mas sigo nele sozinha, levando o peso de cada dia, ainda não se encontrou a ligeireza da vida! Lookin for...

Peace lookin for..


A gota de àgua por Inês Pedrosa!


Método de combate à explosão anunciada pelo Presidente da República.
Uma gota de água pode assumir uma relevância especial. É o caso da famosa gota de água que tem a virtude de chegar ao copo no instante exacto em que ele está cheio até à borda. A gota de água que faz a diferença: imaginemos que ao lado do copo que a gota de água fez transbordar está uma geringonça eléctrica que entra em curto-circuito e explode, causando, se não um incêndio, pelo menos um ferimento grave na mulher que tinha a electricidade - suponhamos, sob a forma de um secador de cabelo - na mão. Por causa desse acidente, a mulher perderá a entrevista marcada e ficará no desemprego. Ou, se o acidente provocado pela gota de água for mais grave, a mulher acaba no hospital. O homem que ficara de se encontrar com ela, depois de seco o cabelo, pensa que ela rejeitou esse encontro. Suponhamos que se conheceram na véspera e que nessa mesma noite ele partirá para outro lugar e que nenhum deles ficou com o contacto do outro. Por causa de uma gota de água, um homem e uma mulher perderam um encontro que poderia ter alterado as suas vidas. Ou, se preferirmos, a mulher encontra no hospital alguém - um enfermeiro, um médico, um velho amigo - que alterará a sua vida. Quem diz um homem e uma mulher diz dois homens ou duas mulheres. Um dia perceberemos que todos somos diferentes como duas gotas de água. Para o melhor ou para o pior, a gota de água importa. A gota de água pode ser uma frase lançada em forma de faca. Uma frase que, mesmo inadvertidamente, corta. Todos temos um historial de gotas de água que nos transformaram.

A gota de água representa a diferença entre o copo que bebemos e o copo que nos encharca. O ano começou com uma mensagem inquietante do Presidente da República. Disse ele: "Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva." A metáfora da explosão não é certamente a mais tranquilizadora. Os portugueses estão, como o resto do mundo, habituados a "situações explosivas". Vêem-nas todas as noites nas televisões e acham que acontecem longe. Mas sucede que há dias um avião que ia da Holanda para os Estados Unidos também quase explodiu. Ora a Holanda não é assim tão longe. E nos aviões viajam pessoas que não são aquelas que estamos habituados a ver explodir e que estamos habituados a ouvir dizer que pertencem a "culturas outras" - certamente menos impressionáveis com os efeitos das explosões.

Antes de o fazer transbordar, as gotas de água vão enchendo o copo. É isso que cada gota de água faz: dá o seu contributo para ajudar a encher o copo. A "situação explosiva" a que se refere o Presidente Cavaco Silva é a da falência do país. Nem copo, nem água. Por isso, enquanto há copo, é importante que recolhamos todas as gotas de água que pudermos encontrar. O mercado de Inverno de jogadores de futebol abriu no passado dia 1 de Janeiro, e Portugal tornou-se imediatamente o campeão europeu das compras: os clubes portugueses gastaram já 18,8 milhões de euros em jogadores (contra 13,4 milhões em Itália, 3,7 milhões na Alemanha, um milhão em França e zero em Espanha, Inglaterra e Irlanda). A maioria dos produtos de alimentação diária têm uma taxa de imposto de 20 por cento. Já imaginaram quantos milhões de euros entrariam para o Orçamento de Estado se as compras de jogadores fossem taxadas, pelo menos, pela tabela do bife e do iogurte? Uma gota de água, é a resposta habitual. Exactamente. A gota de água que, somada a outras gotas de água, mataria a sede. Se todas as empresas aplicassem a regra que o empresário Alexandre Soares dos Santos, que o Expresso elegeu como figura do ano, aplicou às suas - congelar os salários de topo e subir os mais baixos -, outras gotas de água se juntariam a essas. O Estado deveria dar o exemplo. Agora que o presidente do Banco de Portugal parece encaminhar-se para o El Dorado do Banco Central Europeu, seria útil que se aproveitasse para baixar a tabela salarial do posto (17.817 euros mensais). Dois mil euros que fossem - coisa pouca. Menos de quatro salários mínimos, destes novos que o Governo impôs e que as confederações patronais acham exorbitantes (475 euros por mês). Ao fim de um ano, ter-se-iam poupado 24 mil euros. Uma gota de água. Quatro empregos. A sobrevivência de quatro famílias. Idênticas gotas de água poderiam ser extraídas da generalidade das empresas públicas. Até encher o copo, lentamente. É isso que fazem as gotas de água.

Texto publicado na edição do Expresso de 9 de Janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Tempo



Tempo

O tempo sabes que não volta atrás,
nem sempre há remendo para as asneiras que se faz
Todos falham não há ninguém perfeito
há que respeitar para poder manter o respeito...


Porque estou viciada nisto!! Só mais nada e porque tudo isto é tão verdade..
Espero não fazer muitas asneiras este ano de 2010..
Deus me ajude..

Rude sentido...tão rude..



Rude sentido

Pediste, eu nao tinha
Mesmo assim eu dei
Só quizes-te ouvir
Aquilo que eu nao te falei
Não pensei, perdi
Mesmo assim não largei
Agora estou sem ti mas
na verdade ainda nao sei


Refrão

Deixa-me sentir
Deixa-me acordar os anos que anesteziei
Não quero mais fugir
Da realidade que por ti eu afastei


Tomaste-me o sol
Levas-te-me o tempo
Com bem comprei mal
Pedi o teu tempo
O amor que selamos, com lacre de prata
Mais um Dom quixote, que por ti se mata
Agora é que eu vejo quem contigo pára
Trocou o desejo
pela tua lei da bala
Cegaste-lhe a esperança
e sugas seu corpo
O que nasceu cego, vais tu pondo torto

Refrão 2x


Pediste, eu nao tinha
Mesmo assim eu dei
Só quizes-te ouvir
Aquilo que eu nao te falei
Não pensei, perdi
Mesmo assim não largei
Agora estou sem ti mas
na verdade ainda nao sei

2xx

Deixa-me sentir
Deixa-me acordar os anos que anesteziei
Não quero mais fugir
Da realidade que por ti eu afastei

Deixa-me sentir...

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