Carolina Reis (sapato nº37)
"A cena passa-se numa série de televisão que retrata os anos 70. Namorada e namorado assistem, sozinhos na sala dos pais dela, ao congresso que nomeará o candidato republicano à Casa Branca.
Enquanto Richard Nixon discursa, ela aproveita para criticar a expressão que os americanos usam para chamar o Presidente: líder do mundo livre. "Não achas ridículo? Como será que se sente o Presidente da França quando ouve isto?", diz a namorada.
Com um sorriso terno, apaixonado mas sem estar à espera de uma resposta, ele responde-lhe com outra questão. "E tu, por acaso, sabes quem é o Presidente da França?
Sem hesitações ela diz: "Giscard d'Estaing". Igualmente sem hesitar e com ar sério, o rapaz responde-lhe: "És tão sexy".
E naquele momento ela era mesmo a mulher mais sexy do mundo, apesar de um olho mais crítico notar que não era a mais bonita.
Esta cena define aquilo que eu acredito que é ser sexy, sensual, bonita ou o que quiserem, que torna uma pessoa normal numa pessoa atraente. É a densidade que temos, aquilo que não se vê na cara, no corpo ou na maneira como nos apresentamos, que é o tal click que distingue alguém.
Caras bonitas e obcecadas com a imagem ficam muito bem em revistas de moda. Viram os pescoços na rua. E marcam a presença em qualquer lugar.
Mas o momento em que se abre a boca para exprimir uma ideia continua a ser decisivo. Mesmo na era da sobrevalorização da imagem a todo o custo."
Porque os outros expressam-se sempre melhor por mim do que eu... Dei aos outros a essência das minhas palavras..

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